Descubra que alimentos devem ficar fora da geladeira

Durante um longo período na história, a necessidade dos homens de conservar alimentos era quase inexistente. Enquanto nômades, só consumíamos alimentos frescos provenientes da caça e da coleta, pois a ideia era satisfazer a fome imediatamente. A partir do momento em que começamos a nos fixar em um só local, plantando e criando animais, iniciamos uma busca intensa por formas de manusear melhor os alimentos.

Mas foi apenas no século XIX, com o progresso científico, que a geladeira foi inventada, fazendo com que os alimentos durassem mais, possibilitando um planejamento mais completo para o cardápio diário. Mas nem tudo é para ser armazenado a frio, alguns alimentos simplesmente não podem e não devem ser acondicionados em refrigeração.

Segundo a nutricionista Denise Cussioli, temperaturas baixas dificultam tanto a reprodução e a ação dos micro-organismos quanto a das enzimas próprias dos produtos naturais. É por isso que a geladeira conserva os alimentos, evitando a deterioração dos alimentos durante períodos curtos ou longos – também conhecido como “tempo de prateleira”. Para a nutricionista, cada alimento tem uma necessidade de conservação, pois há diversas composições de nutrientes, com características únicas:

“Nem todos os alimentos devem ser conservados na geladeira. Alguns tipos de frutas e verduras são melhores conservados em temperatura ambiente. Outros alimentos, no entanto, devem ser mantidos sob refrigeração. Isso garante a segurança alimentar, fazendo com que eles não se estraguem em um curto espaço de tempo”, garante a nutricionista.

Enquanto alguns produtos precisam de refrigeração para aumentar o tempo de vida útil, o armazenamento de outros na geladeira pode ter o efeito contrário, acelerando a decomposição e mudando a aparência, a cor, o sabor e o conteúdo nutricional. Por isso, trouxemos uma lista de alimentos que devem e que não devem ser mantidos na geladeira.

O que devo guardar na geladeira?

Alimentos perecíveis: carnes, frango e peixes são alimentos que se deterioram com facilidade. Deve-se seguir a recomendação da embalagem do produto e fabricante quanto ao processo de armazenamento.

Ovos: o armazenamento na geladeira é recomendado, permitindo manter a gema intacta por mais tempo. O importante é sempre verificar a data de validade do produto e a recomendação do fabricante quanto ao armazenamento.

Laticínios: leite, queijos e iogurte devem sempre conservados na geladeira para evitar a deterioração. Seguir as recomendações do fabricante após o produto aberto quanto ao período de consumo.

O que devo armazenar fora da geladeira?

Cebolas: necessitam de ventilação, são vítimas de umidade e tendem a amolecer quando armazenadas sob refrigeração. O ideal é mantê-las em saco de papel aberto e em local arejado ou penduradas. “Caso haja necessidade de guardar uma cebola cortada sob refrigeração por um curto período de tempo, armazene-a em um recipiente bem fechado”, aconselha Denise.

Tubérculos feculentos: batata, batata-doce, cará e inhame são outros alimentos que devem evitar a geladeira. O amido presente se transforma em açúcar e muda não só o sabor, como a cor e a textura. O ideal é armazenar em local fresco e seco, em sacos de papel aberto para evitar brotos. “O abrigo da luz é importante no caso das batatas para evitar seu esverdeamento, pois este indica a formação de solanina, uma substância tóxica. ”

Alho: quando conservados dentro da geladeira, perdem o sabor tão característico e a sua textura acaba ficando macia e elástica. Isso ocorre devido à umidade. O certo, na verdade, é armazenar em local seco e fresco, preferencialmente também em sacos de papel para que não criem brotos muito rapidamente. O processamento deste produto deve ser realizado sempre próximo ao preparo do prato.

Tomate: esse fruto deteriora rápido quando acondicionado na geladeira por causa da umidade – o que faz com que ele perca o sabor natural e fique farinhoso. “Tomates pintados podem permanecer fora da geladeira até que passem por uma coloração mais vermelha, compre somente a quantidade necessária para consumo”, ressalta.

Pão francês: guardar o pão francês vai, de fato, fazer ele durar mais. Porém isso acelera o processo de degradação, modificando a textura, deixando-o ressecado. O ideal é consumir em um dia, assim ele não perde crocância, sabor e aroma.

Frutas como banana, kiwi, pêssegos, ameixas e damascos: para as frutas amadurecerem rapidamente, conserve-as em temperatura ambiente. Compre a quantidade ideal para consumo e, quando forem compradas muito maduras, armazene sob refrigeração, mas não por um tempo muito prolongado.

Melancia e Melão: frutas são ricas em substâncias antioxidantes – que contribuem com uma ação protetora contra o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis -, como o betacaroteno, o licopeno e os carotenoides. Mantendo fora de refrigeração, essas substâncias permanecem intactas. A melancia quando colhida no ponto certo de maturação pode ser guardada por duas semanas em local fresco e ventilado. Apenas quando cortadas que elas devem ir para a refrigeração, cobrindo sempre a superfície da polpa com plástico transparente para não ressecar. É importante ressaltar que esse processo costuma durar por, no máximo, três dias.

Mel: por ser um alimento totalmente natural, não estragará fora de refrigeração. Na verdade, colocar na geladeira vai engrossar e cristalizar, alterando sua consistência. Ao contrário das geleias, que devem ser armazenadas na geladeira depois de abertas, por causa dos conservantes adicionados no processo de industrialização do produto.

Óleo e azeites: esses dois produtos, quando armazenados sob refrigeração, ficam turvos e espessos, com aspecto amanteigado. O ideal é conservá-los em ambiente seco e arejado.

Ervas frescas: estas tendem a se deteriorar em curto espaço de tempo, tanto na geladeira como em temperatura ambiente. Por exemplo, o manjericão murcha muito rápido quando armazenado na geladeira, o ideal é usar o mais próximo possível da preparação e consumo.

 

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